O pai de uma aluna toma conhecimento de que as apostilas usadas na escola de sua filha apresentam o criacionismo como modelo para o aparecimento da vida na terra. O pai procura a direção da escola, que imediatamente substitui as apostilas por livros didáticos mais de acordo com a compreensão que a ciência tem do fenômeno. Nada de mais se o pai não fosse ninguém menos que Fernando Haddad, o Ministro da Educação. A escola era a unidade de Brasília do Instituto Mackenzie. A direção da escola depois minimizou o ocorrido, afirmando que a reclamação dizia respeito a erros gramaticais no material (isso só deveria deixar a direção envergonhada). A unidade de São Paulo continuou usando o material, como contado no Ciência em Dia.
O Instituto Presbiteriano Mackenzie é uma tradicional instituição educacional presbiteriana, presente no Brasil há mais de um século. As instituições presbiterianas, que incluem universidades de prestígio internacional como Harvard e Princeton se caracterizam pela liberdade para pesquisar qualquer tema, não sendo permitido qualquer tipo de censura por tradição ou crenças religiosas. Pelo menos assim deveria ser. No entanto, a direção do Mackenzie vem se deixando seduzir pelas idéias de alguns fundamentalistas cristãos norte-americanos e está se tornando uma das mais importantes vozes do criacionismo tupiniquim. Há pouco tempo realizaram um encontro sobre darwinismo que na verdade foi uma celebração do criacionismo e do Intelligent Design.
Não deixa de ser lamentável que uma instituição que representa uma tradição tão rica e importante para o desenvolvimento da cultura científica nos Estados Unidos e no mundo escolha um caminho tão obscuro. A ciência não se contrapõe à religião. Ela busca evidências e a compreensão dos fenômenos que nos cercam. Suas idéias não dependem da fé das pessoas. Por mais que alguém não acredite na evolução e na seleção natural, há evidências suficientes para que esse modelo esteja bem estabelecido. Não é uma questão de fé.
O que está errado com os criacionistas é adotar a interpretação literal dos textos sagrados de uma determinada religião como verdade absoluta. Isso é perigoso quando passa para os textos didáticos pois começa a mexer com cabeças em formação.
Alguém consegue imaginar como seriam as apostilas do Mackenzie se ele fosse uma instituição umbandista? Ou do candomblé?
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