quinta-feira, 5 de junho de 2008

Fidel e a fuga de cérebros

Durante a Conferência Regional de Educação Superior 2008 (CRES2008) da UNESCO, em Cartagena, Colombia, houve uma mesa redonda sobre "Desafios da Cooperação Sul-Sul". Os participantes eram Ministros da Educação de diferentes países (o Ministro Fernando Haddad do Brasil se fez representar pelo Secretário de Ensino Superior Ronaldo Mota). Durante sua intervenção, o Ministro da Educação Superior de Cuba Juan Vela citou um dado revelado a ele pelo companheiro Fidel Castro: há 40 anos a cada dia 70 pesquisadores da América Latina emigram para os Estados Unidos e Europa, no processo que chamamos de brain drain ou fuga de cérebros.
Isso corresponde a metade da lotação de um Boeing 737 a cada dia. Uma conta rápida revela que em um ano 25500 pesquisadores emigrariam daqui. Parece que o senso crítico do comandante está um pouco debilitado. O Brasil forma atualmente 10 mil doutores por ano. Junto com o México forma quase a metade de todos os doutores da América Latina. Esses números são recentes. Há 10 anos formávamos menos de 5 mil doutores por ano.
Se os números do comandante estivessem certos, um milhão de pesquisadores de qualidade teriam nos deixado nos últimos 40 anos, muito mais do que a nossa capacidade de formá-los. Vela já havia afirmado isso em 2005 sem que ninguém aparentemente tivesse contestado (naquela oportunidade a fuga era só para os Estados Unidos). Sem dúvida o processo de fuga de cérebros é um problema e precisamos proporcionar oportunidades e vantagens para que nossos melhores pesquisadores fiquem na América Latina. Por outro lado, é impossível que o primeiro mundo drene mais cérebros do que somos capazes de produzir.
Política algumas vezes obscurece a razão, o senso crítico e o método científico.

2 comentários:

Anônimo disse...

O problema mais grave é a fuga de cérebros das suas respectivas caixas cranianas.

Anônimo disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKK boa

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