quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Medicina pseudo-científica na grande imprensa

A revista Veja desta semana tem um artigo interessante sobre pseudo-medicina na internet. Ele menciona por exemplo o Dr. Joseph Mercola, o Dr. Stephen Sinatra, o Dr. Andrew Weil entre outros. Esse trio merecerá um artigo exclusivo em breve. Trata-se de exemplos acabados de pseudo-ciência em ação para vender medicamentos que supostamente agem contra supostas doenças (algumas vezes genuínas, muitas vezes não). É muito positivo que um órgão da grande imprensa tenha uma abordagem crítica em relação a essas atividades pois o normal é que eles validem as práticas pseudo-científicas. A coisa vai bem até que no final do artigo são feitas afirmações de um otimismo que dá pena. "Aqui, os conselhos regionais de medicina fazem marcação cerrada. Os sites com assinatura de um médico dificilmente vendem produtos on-line. Introduzir no mercado substâncias sem respaldo científico resulta em punição severa ao profissional.".
Doce ilusão. Aqui no Brasil os conselhos regionais de medicina reconhecem como práticas médicas terapias sem nenhum fundamento científico. Meu seguro de saúde cobre tratamentos homeopáticos e acupuntura. Todos os estudos sérios vêm mostrando reiteradamente que essas práticas não têm efeito maior do que o placebo. Não é difícil encontrar medicamentos homeopáticos a venda on-line, com as bênçãos dos conselhos de medicina e de farmácia. Isso convive com um artigo em que um médico recomenda que não se use antitérmicos contra a febre ou outro que recomenda o uso de medicamentos homeopáticos para tratar HPV.
Quem decidiu reconhecer práticas pseudo-científicas como eficazes é que merece uma punição severa. Talvez nem tanto. De qualquer forma está mais do que na hora de revisar esses conceitos. Isso foi sugerido em 2007 por ninguém menos que o ex-conselheiro e ex-diretor do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) Celio Levyman em um artigo na Folha de São Paulo (só para assinantes) que também póde ser encontrado aqui . Até agora nada...

3 comentários:

Isis disse...

Isso poderia ser evitado economicamente se a população tivesse acesso à discussão.

Danilo disse...

quem escreveu esse artigo precisa rever seus conhecimentos, a acupuntura tem seus 360 pontos CIENTIFICAMENTE COMPROVADOS! E ele acrescentou que isso nao funciona... sinto muito, mas eh dificil ver tamanha ignorância, vai na pubmed, ou na bireme, bases internacionais de artigos cientificos que tem sede no brasil (a bireme é da unifesp e a pubmed da usp) digita acupuntura, aparecem mais de 60mil resultados, todos em revistas renomadas, a maioria com metodologia bem estruturada, ja li varios, e ate cheguei a fazer projeto de tcc sobre esse tema e apresentar em congresso... SE FOR FALAR DE TERAPIA ALTERNATIVA SE INFORMA PRIMEIRO!

CELIO disse...

Como médico há 30 anos,mestre em neurologia,com fellowships na Harvard Medical School,University of Pittsburgh e Univewrsidade de Munique,além de atividade docente e de pesquisa,não admito a homeopatia como especialidade médica.Fui conselheiro e diretor do CRM de SP,e sei que em 1980 uns 300 médicos que se diziam homeopatas convenceram os então integrantes do Conselho Federal de Medicina a torna-la especialidade médica (res. CFM 1000/80).Isso persiste até hoje,e mesmop com a total falta de evidências e metodologia científicas,com muita ligação com misticismo,essa prática é especialidade médica apenas no Brasil.O paciente tem o direito bioético de decidir como se tratar ou não,mas quem é médico tem responsabilidades técnicas,científricas e éticas que a homeopatia não contempla,razão pela qual há anos eu e outros colegas tentamos fazer o CFM revogar sua resoplução de 1980.A homeopatia é pseudo-ciência,e quem quiser que se submeta ela como prática,mas não como especialidade médica.Espero apoio nessa luta até o momento inglória.

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