terça-feira, 22 de outubro de 2019

Os Falsos Proeminentes Cientistas do Clima

César Lattes foi um dos mais célebres físicos experimentais brasileiros. Seu nome foi imortalizado na Base de currículos Lattes, mantida pelo CNPq consiste num patrimônio acadêmico brasileiro único no mundo. Desde 1999 virtualmente todos os acadêmicos e pesquisadores brasileiros, inclusive ex-ministros e ex-presidentes mantém atualizado seu perfil no Lattes. Ali estão todas as publicações científicas, participação em eventos, orientações, trajetória acadêmica, proficiência linguística, enfim, tudo o que caracteriza a vida intelectual e acadêmica. Como praticamente todos os cientistas brasileiros estão cadastrados na plataforma Lattes, ela contém uma quantidade enorme de informações relevantes sobre os cientistas e a comunidade científica brasileiros, infelizmente ainda pouco exploradas.
Duas estratégias são muito usadas por pseudocientistas e anticientistas para confundir o público leigo: uma é apresentar supostas controvérsias onde há consenso. Outra é apresentar pesquisadores irrelevantes ou pouco prestigiados pelos seus colegas como grandes especialistas numa área. Nos dois casos eles se aproveitam do desconhecimento do público sobre como funcionam a pesquisa e as publicações científicas.
Mudança climática global causada pela intervenção humana é um assunto carregado de profundas implicações políticas. Não há dúvida de que a concentração de CO2 e de outros gases causadores de aquecimento global vêm aumentando a um ritmo nunca visto na história do planeta. O consenso na comunidade científica é que o aumento da concentração desses gases está causando a um aumento da temperatura média global com consequências que podem ser catastróficas para o futuro da humanidade mais cedo ou mais tarde. Por isso, por precaução, cientistas prestigiados se reuniram no IPCC, um painel global de especialistas em clima e fizeram uma recomendação de redução no ritmo de liberação de gases do efeito estufa. As atividades desse painel foram reconhecidas com o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Mesmo que os modelos adotados pelos especialistas estejam errados (o que é pouco provável), é prudente reduzir a concentração de CO2 e outros gases causadores de efeito estufa gases na atmosfera.
Obviamente a indústria dos combustíveis fósseis não gosta nada dessas recomendações e vem investindo milhões para desqualificar o trabalho dos cientistas sérios.
Recentemente chegou a minha atenção uma carta enviada à ONU por um grupo holandês chamado CLIntel, ou Climate Intelligence. A carta começa afirmando que não há uma emergência climática e é assinada por nada menos que "500 proeminentes cientistas". Caso esses signatários representem um grupo de cientistas reconhecidos por seus pares sem dúvida a carta deveria ser levada em consideração pela ONU.
Um grupo de cientistas sérios preparou uma resposta à carta. Segundo eles a carta contém várias estratégias há muito adotadas pela pseudociência: mentiras, cherry picking, descontextualização de informações. afirmações imprecisas e não respaldadas por referências sólidas. Um dos críticos coloca em dúvida a competência científica dos 500 signatários.
Como sete signatários são brasileiros, podemos utilizar a base Lattes para verificar se eles realmente são "proeminentes cientistas" como afirma o CLIntel.
Seguem os nomes dos signatários brasileiros com links para seus currículos Lattes.
  1. Luiz Carlos Baldicero Molion tem doutorado em meteorologia e é professor da UFAL. O documento afirma que ele é professor emérito, a Wikipedia diz que ele é professor associado. O Lattes não tem informação e na página da UFAL não há menção a ele ser emérito. Segundo o Web of Knowledge, o mais prestigioso banco de dados acadêmicos do mundo, o Prof. Molion tem um índice h=10. O índice h é um estimador da relevância acadêmica de um pesquisador. O índice h é definido para um pesquisador que tem h artigos publicados com mais de h citações. No caso do Prof. Molion, ele tem 10 artigos internacionais com 10 citações cada um. O valor de h que indica relevância depende da idade do pesquisador e da área. No caso do Prof. Molion h=10 é um valor relativamente mediano, não o qualificando como um cientista muito proeminente.   
  2. Ricardo Augusto Felicio tem doutorado em geografia e é professor da USP. Seu Lattes revela que da sua lista de 11 artigos nenhum é em revista internacional. Alguns nem se qualificam como artigos. Dessa forma não é possível definir seu índice h. O professor Felício não pode ser considerado um proeminente cientista.
  3. Geraldo Luis Saraiva Lino não tem currículo Lattes. Um proeminente cientista brasileiro teria.
  4. Thiago Maia não tem currículo Lattes. Um proeminente cientista brasileiro teria.
  5. Igor Vaz Maquieira tem graduação em ciências biológicas. Aparentemente não é professor ou pesquisador em nenhuma universidade. O senhor Maquieira não tem nenhuma publicação científica nacional ou internacional. O senhor Maquieira não pode ser considerado um cientista, muito menos proeminente.
  6. Mario de Carvalho Fontes Neto tem graduação em Engenharia Agronômica. O senhor Fontes Neto não tem nenhuma publicação científica nacional ou internacional. O senhor Fontes Neto não pode ser considerado um cientista, muito menos proeminente.
  7. Daniela de Souza Onça é doutora em geografia e professora da UDESC. Dos seus 11 artigos 9 são num certo Fórum Ambiental da Alta Paulista que não é exatamente uma revista científica. Como ela não tem nenhum artigo internacional não é possível definir um índice h. A professora Onça não pode ser considerada uma proeminente cientista.
Graças ao Lattes podemos mostrar que nenhum dos sete signatários brasileiros da carta da CLIntel é um proeminente cientista. Quatro deles nem podem ser qualificados como cientistas. Se extrapolamos essa amostra para os demais signatários podemos concluir que pelo menos grande parte dos qwue assinam a carta não são nem cientistas nem proeminentes. A carta é mais uma manobra dos grupos de pressão anticiência para desacreditar o trabalho de gente séria.

Agradeço ao colega e amigo Carlos Lenz Cesar por ter me chamado a atenção para a carta do CLIntel
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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Como pensa um terraplanista?




O Estadão Podcast de 30 de setembro de 2019 buscou explicar o "fenômeno terraplanista". O podcast tem entrevistas com os colegas e amigos Adilson de Oliveira, do LabI UFSCar e Ricardo Ogando, do Observatório Nacional, além de Daniel Barros, da USP. Ele também entrevistou Bruno Alves, do canal do YouTube Mistérios do Mundo, que tem mais de 100 mil assinantes. Desde já vale a pena mencionar que três entrevistados são doutores ligados a universidades. Não consegui obter informações sobre a formação ou atuação acadêmica do Bruno.

Bruno foi quem falou por mais tempo no podcast. Versou seus argumentos sobre o formato da terra, que segundo ele é plana. Vale a pena analisar cada argumento de Bruno. Aqui tem material para tentarmos entender os mecanismos mentais que levam pessoas a pensar que a terra é plana.

  1. "A principal prova de que a terra é plana é a ausência de curvatura nas águas". Esse argumento é falso. As águas terrestres têm sua superfície curva, mas essa curvatura é muito pequena para ser notada em um pequeno lago. Em 1 km de distância a superfície baixa 8 cm. Em 10 km ela baixa 7,85 m. É muito difícil de perceber. Isso fica mais claro olhando fotos de satélite, que mostram a superfície curva dos oceanos.
  2. "Elaboramos testes: ilhas que deveriam estar encobertas respeitando esses cálculos de curvatura para uma esfera de 40 mil quilômetros. Essas ilhas deveriam estar encobertas pela curvatura do horizonte. Quando utilizamos câmeras potentes, telescópios conseguimos enxergar essa ilha. Então começamos a perceber que a questão de não enxergar alvos não tem a ver com a curvatura da terra e sim com a densidade atmosférica,  refração atmosférica e a própria perspectiva do observador porque nossa visão é piramidal então obviamente todas as linhas de nossa visão chegam até um ponto de fuga. A gente foi percebendo isso através de estudos e pesquisas. Esta eu considero a principal prova de que a terra não é um globo." Trata-se de um longo e confuso argumento. Bruno menciona uma certa ilha (qual ilha seria?) que deveria estar atrás do horizonte (a que distância do observador estaria?) devido à curvatura da terra. No entanto, segundo ele, é possível enxergar a tal ilha. Depois usa termos supostamente técnicos para justificar seu suposto resultado. Ele não menciona onde seu resultado está publicado, de forma que não é possível verificar seus resultados nem seus cálculos. Não há dúvida de que tem algum erro fundamental nessas medidas que não podem ser verificadas.
  3. "A gravidade, assim como infelizmente outras teorias científicas foi se tornando infalível. A ciência de verdade deve ser baseada em sempre estabelecer o benefício da dúvida. Quando você cria uma teoria científica que é considerada infalível, isso não é ciência, é dogma. A gravidade nada mais é do que uma tentativa teórica de se explicar um fato. Qual fato? Os corpos caem. O fato é que ele cai porque é mais denso que o ar. Se ele for menos denso que o ar como um balão de hidrogênio ou de hélio ele vai subir. Por quê isso acontece? Existem tentativas teóricas. A teoria serve pra isso. Existem várias teorias. Newton tem a teoria da gravidade. Nós temos um grande físico brasileiro que tem a teoria do efeito ilha. Temos outro grande físico holandês chamado Verlinde que tem a teoria da entropia. Então tem muitas teorias que servem para explicar um fato observável, mas isso não significa que a teoria tem que ser transformada em lei. Temos inúmeros físicos, inúmeros que assinam contra a teoria da gravidade (sic), contra a teoria da relatividade, mas infelizmente a ciência moderna virou dogma. A mecânica quântica, por exemplo, quando você vai pro nível micro, a gravidade não se enquadra, assim como a relatividade não se enquadra. Então estão ainda tentando estabelecer teorias como a matéria escura e tudo mais por causa desse desenquadramento da gravidade com a realidade que a gente observa inclusive em exames laboratoriais. Gravidade é uma tentativa teórica de se explicar um fato observável." Esse trecho demonstra claramente que o Bruno não é físico nem tem intimidade com conceitos básicos da Física. Ele se refere à Teoria da Gravitação Universal como "a teoria da gravidade". Afirma que na verdade os corpos caem por questão de densidade, sem explicar qual força faz um corpo cair por causa de sua densidade. As quedas devido às diferenças de densidade se devem justamente à força gravitacional. Na ausência de gravidade os objetos mais densos não caem. Ele menciona a teoria do "efeito ilha", supostamente de um grande físico brasileiro. Como nunca tinha ouvido falar disso, tive que pesquisar. O grande físico brasileiro é um certo Carlos José Borge, que aparentemente tem graduação pela USP. Difícil saber sobre suas credenciais científicas porque  apesar de ser um grande físico ele não tem currículo Lattes, como os físicos menos grandes costumam ter. No Linkedin tem a informação de que ele é formado pela USP. A teoria do efeito ilha na verdade é bem antiga, proposta em 1690 por Duillier e em 1748 por Le Sage. É uma tentativa cinética para modelar a gravitação a partir de supostas colisões com supostas partículas de origem obscura. O modelo é tão implausível que o prêmio Nobel em Física Richard Feynman ao ser perguntado o que achava do modelo respondeu com sua notória simplicidade: "Não funciona". Erik Verlinde  efetivamente propôs uma teoria entropica da gravitação. No entanto, ao contrário do que Bruno sugere, seus resultados são absolutamente compatíveis com a teoria newtoniana, propondo uma nova interpretação para o significado da constante de gravitação universal G. Bruno usa uma retórica muito comum entre fundamentalistas religiosos quando falam de ciência que é inventar controvérsia onde não há controvérsia. A teoria da gravitação de Newton foi formulada em seu Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (Príncípios Matemáticos da Filosofia Natural) publicado em 1687. De acordo com Newton, é possível expressar matematicamente a interação gravitacional atrativa F que existe entre 2 corpos quaisquer como:
    {\displaystyle F=G{\frac {m_{1}m_{2}}{r^{2}}},}
    onde G é uma constante universal, m1 e m2 são as massas dos corpos e r é a distância que os separa corpos. O valor de G é relativamente pequeno, de forma que a atração gravitacional só é facilmente detectada quando pelo menos uma das massas é grande e a distância pequena. Por isso você não está sentindo a atração de seu computador, tablet ou celular enquanto lê esse texto. Apesar da distância ser pequena as massas são muito pequenas. Mas a não ser que você esteja na ISS, você sente a atração da terra porque apesar de nossa distância até o centro ser grande a massa da terra é muito grande. Como qualquer lei física, a teoria da gravitação universal ela só foi universalmente aceita (exceto por um punhado de terraplanistas que ignoram física elementar) depois de confirmada através de medidas controladas. Em 1797 o físico britânico Henry Cavendish propôs um experimento engenhoso capaz de medir forças extremamente pequenas usando as oscilações de um pêndulo de torção. Eu mesmo fiz essas medidas durante minha graduação em Física na UFRGS. É um experimento trabalhoso, que requer medidas ao longo de dias, mas que permite medir a força gravitacional entre esferas metálicas de massa conhecida. O valor de G obtido é, dentro da precisão experimental, o mesmo obtido na interação entre qualquer objeto e o planeta terra, o que confirma a validade da lei. Não há nenhum modelo melhor que o de Newton par explicar a interação gravitacional. Nenhum físico tem dúvida em relação à validade da teoria da gravitação de Newton. Nem assinaria coisa nenhuma contra ela. Bruno também insiste numa falsa hierarquia entre uma teoria e uma lei, como se uma lei fosse um estágio mais estabelecido de uma teoria. Errado. Em ciência, uma lei descreve um fenômeno, enquanto uma teoria fornece uma explicação sobre as causas. Isso é muito bem explicado nesse vídeo das Amoeba Sisters. Bruno ainda invoca a Mecânica Quântica (não poderia faltar). Segundo ele a gravidade "não se enquadra" no mundo microscópico. Não sei muito o bem o que ele quer dizer com enquadrar, mas a gravidade é normalmente desprezada na mecânica quântica justamente porque G é pequena e as demais forças da natureza (elétricas, magnéticas, forte e fraca) são muito mais importantes e os efeitos gravitacionais não precisam ser considerados. Bruno finalmente entrega o fato de não ter treinamento em Física quando confunde testes em laboratório com "exames laboratoriais".
  4. Essa é talvez a parte mais delirante do depoimento. "A partir do momento em que a NASA começou apresentar as imagens, NASA e outras agências espaciais, a mais famosa é a Blue Marble que ficou famosa, a terra vista do espaço. Com o advento da tecnologia e de alguns aparatos tecnológicos que começaram a ser colocados nas mãos das pessoas, por exemplo o programa Photoshop. Ele não só monta imagens como também denuncia quando uma imagem é real ou falsa. Vejam o que aconteceu com a Blue Marble, que está nos nossos livros de geografia e tudo mais. Terraplanistas verificaram que existiam nuvens repetida, nuvens com desenhos estranhos, e começaram a denunciar que existiam nuvens iguais às outras. Foi assim até que a própria NASA confessou que essas imagens são compiladas por aviões que voam a grandes altitudes que vão mapeando como a Google fez com o Google Earth. Eles vão tirando fotografias e depois juntam as fotografias em um círculo. As nuvens eles compilam com computação gráfica para dar um aspecto mais bonito. Então não existe imagem real da terra tirada do espaço. São várias fotos que eles colam num círculo e a própria NASA confessou isso. Quanto à questão do eclipse, aí está o grande erro. As pessoas foram acostumadas a entender que aquilo que acontece é a sombra da terra na lua. Não é. Através de vários experimentos observáveis em vários eclipses, eu mesmo já fiz vários, todos esses experimentos eu fiz, inclusive no meu canal tem. Nesse último eclipse solar estavam sol eclipsado e lua acima do horizonte. No lunar a mesma coisa: lua eclipsada e sol ainda acima do horizonte. Portanto não é alinhamento sol-terra-lua que causam os eclipses. Muito tempo atrás os antigos que foram aqueles lá de trás que previram os eclipses na antiguidade. Inclusive os astrônomos de hoje não têm a capacidade de prever um eclipse sequer. Todos eles são previstos através dos ciclos dos antigos chineses, dos antigos sumérios, dos antigos gregos, ciclos de saros. Toda vez que você vê um eclipse vai ver assim: eclipse 52 da séries saros. Aqueles povos antigos eram todos terraplanistas e digo mais: eles estabeleceram que eram outros corpos que causavam esses eclipses. Então eu fico com a sabedoria desses povos que compilaram esses ciclos, que hoje são utilizados pela astronomia moderna porque eles são incapazes de prever um eclipse sequer se não utilizarem aqueles ciclos. Então para tudo eles utilizam esses ciclos." Essa parte é um amontoado de mentiras e desinformação. Vamos por partes. A Blue Marble original, a imagem que ilustra esse texto, é uma única foto tirada em 7 de dezembro de 1972 pela tripulação da Apolo 17 a uma distância de 29 mil km da terra. Não é um mosaico como afirma Bruno, e não há nada de errado com as formas das nuvens. Em 25 de janeiro de 2012 a NASA divulgou uma imagem composta do hemisfério ocidental em alta resolução, e a chamou de Blue Marble 2012. A NASA nunca negou que essa imagem é composta, portanto nunca precisou "confessar" nada. Não foram terraplanistas armados de Photoshop que descobriram isso, mas a própria NASA. As fotos não foram tiradas por aviões, mas por satélites que orbitam o globo terrestre. como curiosidade, é bom saber que 2 de fevereiro de 2012 a NASA divulgou uma outra Blue Marble 2012 composta, mostrando o hemisfério oriental. Em 5 de dezembro de 2012 a NASA publicou uma imagem composta noturna em alta resolução da terra, a Black Marble 2012. Bruno confunde as imagens compostas e não compostas para fazer parecer que a NASA é uma fraudadora de imagens. Isso é pura má fé. A discussão sobre eclipses é tão confusa que não consigo comentar. Além de confusa é mentirosa. Se o Bruno já viu um eclipse da lua ele sabe que não tem sol nenhum acima do horizonte. E no eclipse do sol obviamente vemos a lua entre o sol e a terra., logo ela está, assim como o sol, acima do horizonte. Dizer que os astrônomos não sabem prever eclipses é uma demonstração de ignorância em relação à ciência moderna. Eclipses vem sendo previstos há 2 mil anos, sendo que atualmente com uma precisão muito maior que usando os ciclos de Saros, que deixaram de ser usados no século 19 com o desenvolvimento de métodos matemáticos por Friederich BesselWilliam_Chauvenet. Os ciclos de Saros, que duram pouco mais de 18 anos, foram engenhosamente observados por astrônomos babilônios nos últimos séculos antes de cristo e efetivamente permitem prever datas de eclipses pois conectam os movimentos do sistema sol-terra-lua. Os ciclos de Saros só foram entendidos com o advento da teoria da gravitação universal e são uma prova do seu sucesso para descrever os movimentos dos astros.
  5. Para terminar, mais "sabedoria": "É fato que Fernão de Magalhães circunavegou a terra. Existem registros históricos assim como James Cook e outros.James Cook fez 3. É engraçado as pessoas dizerem que isso prova que a terra é um globo. É um absurdo porque qualquer um em pleno gozo das faculdades mentais sabe que ao circunavegar você faz um círculo portanto a terra é plana e circular. Se você sai de um ponto uma ilha, faz uma volta e chega do outro lado, que você fez? Circunavegou. Então obviamente as viagens de circunavegação são completamente possíveis num modelo de terra plana. Não há problema nenhum nisso. O que vai determinar as circunavegações desses caras se a terra é um globo ou é plana é o tempo. A parte onde eles circunavegaram é uma parte muito curta. Uma esfera é mais gorda no equador e vai afinando conforme vai indo pro sul ou pro norte. Eles circunavegaram na parte sul da terra, obviamente onde o tamanho seria menor, próximo à Antártida, sempre pelo sul da América do Sul. Fernão de Magalhães ainda passou por cima da Austrália e por baixo da África para voltar para a Europa. Então obviamente seria algo rápido. Pedro Álvares Cabral saiu de Portugal e passou pela parte maior da esfera que é o equador e chegou no Brasil em 21 dias. Assim como Fernão de Magalhães, que chegou à baía de Guanabara em semanas. Engraçado que na parte mais gorda da terra que é o equador, o trajeto da Europa até Brasil leva semanas, enquanto que para circunavegar pela parte pequena da terra levaram 3 anos. As viagens de Fernão de Magalhães e fr James Cook levaram em média 3 anos de circunavegação." Nessa passagem Bruno prova que além de conhecer pouco de Física e Matemática, Bruno não é muito bom em Geografia. Basta olhar um mapa mostrando o percurso da circunavegação de Magalhães, por exemplo, para apreciar o quanto a viagem de circunavegação é mais longa do que a viagem de Portugal ao Brasil. Aliás o percurso de Portugal ao Brasil foi parte da circunavegação. Comparar os tempos de viagem também não faz sentido. Os mares do sul são de navegação muito mais difícil do que o Atlântico Norte. 3 anos é um tempo até muito razoável para essa trajetória. Atualmente um veleiro faz a circunavegação em pouco mais de 40 dias.
O que mais chama a atenção na fala do Bruno é a segurança com que afirma um monte de bobagens em série como uma metralhadora. Ele provavelmente não tem formação científica como pode ser constatado pela linguagem que usa (adorei o "exame laboratorial") e pelos conceitos que postula. Ele não entende as teorias que cita, não sabe avaliar a qualidade do trabalho de um físico, não consegue ler um mapa, conta uma história confusa acusando a NASA de mentirosa e supostamente desmascarada pela turma dele. Ele não entende como é possível prever um eclipse e afirma que ninguém sabe. Ainda assim, o Bruno é referência dentro da comunidade que devido a um viés cognitivo insiste em inventar uma controvérsia onde ela não existe. Nenhum cientista sério contesta o formato da terra.
A única explicação que eu encontro é que estamos passando por uma espécie de efeito Dunning-Kruger coletivo. Os psicólogos David Dunning e Justin Kruger  ganharam o prêmio Ig Nobel de 2000 por definirem uma forma de viés cognitivo no qual as pessoas percebem sua própria capacidade cognitiva como maior que ela realmente é. Ela vem da incapacidade das pessoas para reconhecer os limites de sua própria incompetência. Por isso Bruno, que tem um conhecimento científico muito limitado, explica diversos assuntos que não entende. O processo pode ser melhor compreendido olhando a figura que representa esquemáticamente a autoconfiança em função da competência. O efeito Dunning-Kruger é a causa do pico à esquerda, onde se situa Bruno. Devido à sua baixa competência nos assuntos que aborda ele tem uma segurança enorme que se transmite a outras pessoas igualmente incapazes de um julgamento mais apurado devido a sua baixa competência. É preciso entender muito mais para que as pessoas se dêem conta de suas limitações.

Que podemos fazer para ajudar os Brunos a transporem o pico da curva e conseguirem entender o mundo?


sexta-feira, 26 de julho de 2019

A Metodologia do Rolezinho

Nossa espécie consegue aprender através da experiência. Consegue também registrar o aprendizado e passá-lo de geração em geração. Inventamos a Matemática. Inventamos a Ciência. Desenvolvemos uma metodologia que chamamos de Método Científico que permite saber quando a nossas ideias correspondem aos fatos. Isso revolucionou a forma como percebemos a nós mesmos, a vida, o universo e tudo mais. Entendemos o universo e vivemos melhor com as tecnologias que desenvolvemos a partir do conhecimento científico.

O aprendizado muitas vezes contraria nossas crenças e a intuição que desenvolvemos na vida quotidiana. Bons exemplos de dicotomia entre realidade e nossa experiência quotidiana ocorrem na Mecânica Quântica. A Mecânica Quântica descreve o universo sub-microscópico. Nessa escala ocorrem efeitos bizarros e surpreendentes. Quando passa por uma fenda de tamanho comparável com o seu um elétron é difratado como acontece com a luz, ou seja, passa a existir uma probabilidade de encontrá-lo seguindo trajetórias diferentes da esperada para uma partícula macroscópica. Isso é um efeito quântico. Quando uma pessoa passa por uma fenda de tamanho comparável com o seu (uma porta, por exemplo) ela não é difratada. A Mecânica Quântica não descreve bem situações do mundo macroscópico. Por esse motivo os cientistas precisam desenvolver intuições compatíveis com as leis da natureza que se aplicam ao sistema que estão estudando para poder compreendê-los. Essas intuições levaram a invenções e descobertas que mudaram nossa vida. O transístor, base de toda a eletrônica e tecnologia da informação, é um dispositivo que só pode ser compreendido a partir da Mecânica Quântica. Ele funciona, ainda que seu funcionamento desafie nossa percepção da realidade macroscópica.
Políticos em geral não são cientistas. Políticos minimamente espertos, mesmo que não muito inteligentes, têm assessores científicos para apoiar suas decisões importantes. Eles sabem que o conhecimento científico permite a percepção mais fidedigna possível da natureza e da sociedade.
O Brasil tem um histórico contraditório, misturando decisões políticas baseadas em evidências com outras baseadas em bobagens. No governo Dilma um obscuro professor da USP alardeou aos quatro ventos que tinha descoberto uma substância milagrosa que curava qualquer tipo de câncer, a fosfoetanolamina. Apesar de não haver evidência científica alguma para suas afirmações, ele conseguiu uma horda de seguidores que pressionou governos estaduais e o federal a fazer estudos caros e injustificados, que demonstraram que as curas alardeadas eram fruto da imaginação coletiva.
Nada que possa ser comparado com o governo atual. O Método Científico foi substituído pela Metodologia do Rolezinho, termo cunhado no ótimo Direto da Ciência por Maurício Tuffani. Em que consiste a Metodologia do Rolezinho? Muito simples. Sempre que queremos testar se alguma ideia corresponde aos fatos em lugar de aplicar o método científico damos um rolê. Se no meio do rolê não observamos nenhuma evidência para essa ideia então ela deve estar errada.
O método do rolezinho foi brilhantemente usado pelo ministro da cidadania ao se deparar com dados sobre consumo de drogas cuidadosamente obtidos pela Fiocruz num estudo que durou 3 anos. Segundo o estudo, apesar de haver consumo elevado não há uma epidemia de uso de drogas no país. Isso contrariou a percepção do ministro. Ele precisava verificar quem estava certo: a Fiocruz ou ele. Então ele deu um rolezinho, chegando à conclusão obvia (para ele): "Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada." Tenho uma péssima notícia para o ministro: ele não entende mais nada, como nunca entendeu. O método do rolezinho venceu.
O próprio presidente é um forte adepto da Metodologia do Rolezinho. Ele acha que não há fome no Brasil, porque "não vê gente pobre pelas ruas com físico esquelético". Portanto em sua compreensão limitada os dados da FAO obtidos pelo método científico devem estar errados. O presidente tem  convicção que os  dados obtidos pelo INPE sobre desmatamento durante seu governo são mentirosos. Ele mesmo deu um rolê de avião sobre a Amazônia e se convenceu disso. Portanto na opinião dele os cientistas do INPE são uns incompetentes e inimigos do Brasil. Mais Metodologia do Rolezinho em ação. O ministro da ciência, tecnologia, inovações e comunicações, que apesar  do cargo que ocupa não tem treinamento científico além do clássico experimento do pé de feijão, também acha que o desmatamento não é tanto assim e valida o uso da Metodologia do Rolezinho em lugar do Método Científico. Estamos num mau caminho. Se o presidente ou seus ministros aplicarem a Metodologia do Rolezinho a um transístor com certeza dirão que ele não pode funcionar.
O astrólogo oficial da república, mentor intelectual do atual governo, apresentou a base filosófica da Metodologia do Rolezinho em vídeos, como eu comentei aqui.
Ao substituir o Método Científico pelo Método do Rolezinho o governo do Brasil deu mais um enorme passo rumo ao obscurantismo pré-científico, que parece ser um de seus objetivos. Vai ser assim até que o mandato termine ou esse pessoal seja derrubado (inshallah). Os primeiros passos na direção de Gilead já foram dados.
Mas o que poderíamos esperar quando um dos dois projetos aprovados pelo presidente em 26 anos como deputado federal foi justamente o que autorizava o uso da fosfoetanolamina por parte de pacientes com câncer?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Olavo e a Relatividade

Em cada época da história há pessoas na vanguarda da compreensão da vida, do universo e tudo mais. Chamamos essas pessoas de filósofos. A palavra filósofo vem do grego φιλόσοφος, ou amante da sabedoria. Filósofos importantes influenciaram e mesmo determinaram como a sociedade se organizou, a moral, a ética, de onde viemos e para onde vamos. Obviamente a invenção do pensamento científico contemporâneo, que começou na Europa renascentista do século XVI, teve forte influência na filosofia. Isaac Newton chamou seu tratado sobre a natureza em três volumes de Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural). Nessa obra colossal é descrito o modelo que usamos até hoje para descrever o movimento de corpos materiais, a gravitação, o movimento de planetas. Ele sistematiza a noção de campos, e de quebra descreve o cálculo infinitesimal. No volume 3 Newton propõe "Regras de Raciocínio em Filosofia" em que enuncia algumas bases do raciocínio científico: efeitos similares devem ter causas similares (universalidade das leis da Física) e a compreensão da realidade deve derivar de fenômenos observados experimentalmente. Isso atualmente pode parecer óbvio, mas no século XVII não era.

O Brasil de 2019 está passando por um fenômeno muito curioso. Membros importantes do governo recém empossado (incluindo o presidente) têm citado como referência intelectual o senhor Olavo de Carvalho. Mesmo sem ter tido educação formal na área, o Sr. Carvalho se apresenta como filósofo e mantém uma página na qual oferece cursos on line sobre diversos assuntos ligados à filosofia.


Mas o que faz de um pacato cidadão um filósofo? Difícil de saber. Certamente não é um curso de graduação em Filosofia. Minha mãe era formada em Filosofia e nem por isso ficava filosofando ou falando dos mistérios da vida, do universo e tudo mais. O Sr. Carvalho é autor de uma longa lista de livros sobre os mais diversos assuntos. No entanto, ele não é reconhecido pelos pares ou pelo mundo acadêmico como alguém com algo relevante a dizer sobre a vida, o universo e tudo mais, como pode ser verificado aqui, aqui e aqui.


O Sr. Carvalho costuma publicar vídeos em seu canal no Youtube nos quais fala sobre os mais diversos assuntos, inclusive Ciência. Vou comentar um dos seus vídeos, no qual o Sr. Carvalho aplica seu bom senso ao movimento da terra em torno do sol.


"Com relação à origem da relatividade o que aconteceu foi o seguinte: no fim do século passado [houve] uma dupla de cientistas, Michelson e Morley, que disseram o seguinte: se de fato a terra se move em volta do sol então devem haver diferenças na velocidade da luz em vários pontos da terra conforme as várias estações do ano. Eles mediram isso milhares, milhares e milhares de vezes e viram que não mudava nada. Então das duas uma: ou a terra não se move ou então é preciso modificar a Física inteira. Um cidadão chamado Albert Einstein viu isso e decidiu que era preferível modificar a Física inteira só para não admitir que não havia provas do heliocentrismo. Ele fez então um arranjo que implicava em várias noções muito estranhas como a curvatura do espaço que é um conceito que até hoje eu não entendi. [...] Mais ainda a noção de que pessoas que viajassem através do espaço teriam várias idades ao mesmo tempo, e muitas coisas muito esquisitas que nunca foram provadas, mas que eram intelectualmente muito elegantes e de algum modo salvavam as aparências. O fato é que no confronto entre geocentrismo e heliocentrismo não existe nenhuma prova definitiva nem de um lado nem do outro. Você pode usar um sistema de referência ou pode usar o outro."
Citando a frase atribuída ao genial Wolfgang Pauli, isso é tão absurdo que nem chega a estar errado.

Como demonstraremos a seguir, o Sr. Carvalho mostra ter pouca familiaridade com o Método Científico, com a História da Ciência e com a própria Teoria da Relatividade.

Ao contrário do que o Sr. Carvalho afirma, os experimentos de Michelson-Morley, realizados entre 1871 e 1878, não estavam testando se a terra se move ou não. Isso já havia sido estabelecido sem sombra de dúvidas por Nicolau Copérnico 400 anos antes. Michelson e Morley estavam testando a hipótese de existir um meio (chamado de éter) para a propagação das ondas eletromagnéticas. Naquela época muitos cientistas pensavam que assim como ondas materiais (som por exemplo) só se propagam em meios materiais, deveria haver um meio de propagação para as ondas eletromagnéticas. Michelson e Morley projetaram um interferômetro extremamente sensível para detectar variações mínimas na velocidade da luz. Eles apontaram seu equipamento em diferentes direções, buscando variações na velocidade da luz, o que deveria ocorrer devido ao movimento da terra caso o éter existisse. Michelson e Morley determinaram que a velocidade da luz era sempre a mesma, não importando a direção na qual orientavam o seu interferômetro. Isso não só descartou a hipótese do éter mas também criou um novo desafio teórico: como pode a velocidade da luz ser a mesma em todas as direções dado que a terra está se movendo? A resposta veio a partir dos trabalhos de Fitzgerald e Lorentz (1892). Eles propuseram que por algum motivo uma mudança de sistema de referência no contexto do eletromagnetismo  (transformação de Lorentz) é diferente do que ocorre no contexto da mecânica (transformação de Galileu), mais intuitiva porque mais próxima de nossa experiência cotidiana. Em 1905 Albert Einstein formulou a Teoria da Relatividade Restrita na qual unificou os resultados da mecânica e do eletromagnetismo postulando que a velocidade da luz é constante em qualquer sistema de referência chamado de inercial. Portanto, apesar de a transformação de Lorenz ser a maneira correta para tratae de mudanças de sistemas de referência, a transformação de Galileu pode ser usada quando o movimento relativo dos sistemas de referência ocorre a velocidades baixas comparadas com a da luz que é de cerca de 300 mil km/s, muito maior do que estamos acostumados a experimentar em nosso dia-a-dia.

Isso tudo não tem nada a ver com a curvatura do espaço (que o Sr. Carvalho confessa não entender, e é um assunto muito difícil mesmo para quem estudou geometria avançada), que é um conceito que aparece na Teoria Geral da Relatividade.

Ao formular as teorias da relatividade restrita e geral, Einstein não estava tentando resolver o problema do movimento da terra, mas sim o problema da invariância da velocidade da luz em mudanças de sistemas de referência. Isso é provavelmente demais para o entendimento de Ciência do Sr. Carvalho, a quem resta aplicar o seu senso comum e interpretar o experimento de Michelson-Morley como evidência para a terra não se mover.

Mas afinal como sabemos que a terra gira em torno do sol (modelo heliocêntrico) e não o sol gira em torno da terra (modelo geocêntrico)? Na verdade, isso ocorre porque supondo o sol no centro do movimento de todos os planetas a descrição desses movimentos fica muito mais simples e compatível com a teoria da gravitação exposta nos Principia. Isso é a essência da Ciência: fazer modelos que nos ajudam a compreender a Natureza.
Com a invenção do telescópio no século XVI uma enxurrada de evidências astronômicas foi produzida:

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Movimentos retrógrados dos planetas. Vistos da terra, os planetas executam trajetórias estranhas no céu, como o movimento de Marte reproduzido ao lado. Isso foi observado já no século XVI e foi um dos principais argumentos usados por Copérnico para propor o modelo heliocêntrico. O ajuste preciso das trajetórias só foi possível quando Johannes Kepler propôs que os planetas percorrem trajetórias elípticas e não estritamente circulares em torno do sol.


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As fases de Vênus. Vênus apresenta tem fases semelhantes às da Lua. Isso não tem explicação num modelo geocêntrico mas é consequência direta do modelo heliocêntrico.



As estações do ano. É muito difícil explicar porque ocorrem as estações do ano num modelo geocêntrico. No modelo heliocêntrico basta considerar que o eixo de rotação de terra está inclinado em relação ao plano da órbita em torno do sol. Essa inclinação é de cerca de 23° (é por isso que o trópico de Capricórnio passa bem pertinho de Campinas, que tem latitude 23°). A própria ocorrência de anos é consequência da rotação da terra em volta do sol.

O heliocentrismo foi adotado como a descrição correta do sistema solar porque seus resultados são passíveis de explicação por uma teoria simples e elegante, capaz de fazer previsões sobre a evolução do sistema. Essa é a base da Ciência. Por isso as escolas ensinam heliocentrismo, não geocentrismo. A fala o Sr. Carvalho só mostra o quanto suas ideias sobre Física, heliocentrismo, relatividade e tudo o mais são baseadas apenas no senso comum e não na erudição e entendimento de conceitos como ele quer que acreditemos. Na verdade isso só convence outras pessoas que também não entendem o assunto. O grave é que o Sr. Carvalho tem não só admiradores mas seguidores que tomam suas palavras como uma expressão da verdade. Assim nascem as pseudociências. Ao falar de Ciência o Sr. Carvalho certamente não se qualifica enquanto filósofo, mas simplesmente como articulador de senso comum óbvio e errado, prática comum entre os gurus de auto-ajuda. Ele no fundo não entende do que fala, usando fatos, resultados e conceitos fora de contexto e chegando a conclusões pretensamente científicas. Isso se chama pseudociência.

Pobre do país em que o guru intelectual dos governantes, com poderes suficientes para indicar dois ministros (inclusive o da Educação) seja tão superficial e tacanho.
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